É tarde para amar?


Sejam bem vindas minhas queridas a mais um artigo. Chegamos ao mês de maio, e claro que dessa vez nosso encontro será todo dedicado a elas: mães. E sintam-se todas em casa, as que já são mães, as que ainda não são, as que estão na espera e as que são mães de pet. Hoje vamos tratar de algo cada vez mais comum: a gravidez tardia.

Gravidez tardia ou idade materna avançada é considerada a partir dos 35 anos, para a maioria dos autores. A idade ideal para a gestação é de 20 a 29 anos, aumentando os riscos nos extremos de idade, ou seja, na adolescência e após 35 anos. Já não estamos mais na época de nossas avós, que se casavam logo após a menarca e logo já tinham filhos. Hoje em dia é cada vez mais comum nós mulheres termos nossos filhos mais tarde, seja pela busca de sucesso profissional, independência financeira, busca pelo parceiro ideal ou até mesmo pela escolha de constituir uma família numa fase mais madura da vida.

No ambiente familiar, a mulher participa plenamente da vida do casal. De modo geral, cabe a ela cuidar da casa, do relacionamento conjugal, da vida social e, além disso, contribuir no orçamento familiar. Em razão desse acúmulo de atribuições, a maternidade e o matrimônio têm sido postergados para fases da vida nas quais nem sempre a capacidade reprodutiva acompanha o desejo de um casal. O que se percebe é que o processo de mudança nos padrões familiares influencia diretamente as características da natalidade, dando um direcionamento para a diminuição progressiva de suas taxas globais e adiamento da gravidez planejada.

E porque a capacidade reprodutiva da mulher diminui com o tempo? Para responder essa pergunta precisamos entender um pouquinho de embriologia. O que liberamos na ovulação é chamado de ovócito secundário, o qual é resultado do ovócito primário, que é formado durante a vida fetal. Após o nascimento não é formado mais nenhum ovócito primário, ao contrário do que ocorre no homem. São formados na vida fetal cerca de 2 milhões de ovócitos primários, que permanecem em repouso até a puberdade. Na adolescência restam em torno de 40 mil e destes cerca de 400 tornam-se ovócitos secundários e são liberados na ovulação. Isso pode parecer muito, mas se fizermos as contas veremos que não são tantos assim. A média de idade da menarca é de 12 anos, com uma conta simples aos 42 anos essa mulher já vai ter “gasto” 360 ovócitos secundários, isso contando que cada ciclo foi liberado apenas um ovócito, e nós sabemos que pode ser liberado mais de um por ciclo. Além do fator quantidade de óvulos, (vamos chamar assim para facilitar), tem o fator tempo. Esses óvulos são velhos, foram feitos lá quando você ainda estava na barriga da sua mãe.

O tempo reduz a quantidade de óvulos de forma lenta, enquanto o tabagismo, alcoolismo, alguns medicamentos e tratamento de doenças como a quimioterapia aceleram o processo.

Engravidar após os 35 anos é algo bem possível, porém para conduzir essas gestações é necessário compreender o papel da idade, comorbidades preexistentes e complicações durante a gravidez e o trabalho de parto.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, até os 30 anos a chance de uma mulher engravidar em um mês naturalmente é de 25%, após 40 anos esse índice cai para 10%, e nessa idade 80% dos embriões são considerados anormais do ponto de vista genético, o que justifica os maiores números de abortos espontâneos. É nessa idade também ocorre aumento das taxas de doenças genéticas. Outro fator que deve ser lembrado é que nessa faixa etária aumenta o risco de desenvolver hipertensão arterial e diabetes ou de apresentar uma doença de base pré-existente, visto que muitas mulheres adultas só procuram o médico quando ficam grávidas.

O ideal é que o pré-natal comece antes da concepção. Por isso, a mulher deve procurar o médico antes de engravidar. Nesse momento, é importante fazer exames laboratoriais de rotina (hemograma, tipagem sanguínea, sorologias, dosagem dos hormônios tireoidianos, exame de urina) e uma avaliação clínica com o objetivo de investigar se há alguma doença pré-existente e quais são os fatores de risco para essa gestação. Se tudo estiver bem, iniciaremos a preparação para a gestação com suplementação de ácido fólico, vitamina do complexo B e vitamina D, para diminuir o risco de malformações genéticas.

Durante a evolução da gestação, a mulher tem maior probabilidade de apresentar doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG), a presença de obesidade ou sobrepeso contribuem para apresentar diabetes gestacional, considerado um sério risco para a gestante na faixa dos 35 anos. Na gestação tardia, pode ocorrer, ainda, aumento de complicações obstétricas, como trabalho de parto prematuro, hemorragia anteparto, trabalho de parto prolongado, gestação múltipla, apresentações anômalas, placenta prévia e hemorragia puerperal. Por conta de todos esses fatores é ainda mais importante que se faça um bom pré natal de modo a prevenir e tratar qualquer problema que venha a surgir.

E o que eu posso fazer para ter uma gestação saudável? Planejar. Independente da idade o planejamento é o que pode te preparar para qualquer situação e fazer você superar com facilidade. Mantenha sempre seus exames anuais em dia, cuide da saúde e de seu corpo, esclareça todas suas dúvidas com seu médico. Mantenha sempre um padrão de vida saudável com alimentação equilibrada e corpo ativo, desse modo nunca será tarde para amar.

E fiquem ligadas que nesse mês das mães vamos falar mais sobre o assunto. Até breve!



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