Conhecendo os efeitos da Vitamina D


Olá minhas queridas amigas! Estamos de volta, e dessa vez com um assunto muito comentado por esses dias, Vitamina D. Vejo muitas pessoas iniciando a suplementação dessa vitamina devido ao quadro atual de pandemia em busca de aumentar a imunidade.


Mas será que você sabe todas as funções dessa vitamina? Ou será que a vitamina D é um hormônio? Qual seria a quantidade ideal de suplementação para cada um? No artigo desta semana responderemos a todas essas questões e muitas outras.


Para começar vamos conhecer o conceito de vitamina. Vitamina são substâncias químicas orgânicas essenciais para nosso corpo que não conseguimos sintetizar, sendo obtidas através da dieta ou suplementação. Hormônios são substâncias químicas que controlam diversas funções do organismo, sintetizadas por nosso próprio corpo.


A vitamina D, ou colecalciferol, é um hormônio esteroide, cuja principal função consiste na regulação da homeostase do cálcio, formação e reabsorção óssea, através da sua interação com as paratireoides, os rins e os intestinos. A principal fonte da vitamina D é endógena, formada nos tecidos cutâneos após a exposição à radiação ultravioleta B. Outra fonte alternativa de vitamina D é a dieta, responsável por 20% das necessidades corporais, mas que assume um papel de maior importância em idosos, pessoas institucionalizadas e habitantes de climas frios. A reposição pode ser feita em forma de: colecalciferol ou vitamina D3, de origem animal (bacalhau, atum, fígado, ovos e produtos lácteos) e ergocalciferol ou vitamina D2 de origem vegetal (cogumelos).


Os níveis de vitamina D variam devido a fatores hormonais, genéticos e nutricionais. A pele é capaz de produzir vitamina D a partir de radiação UVB. O uso de protetor solar pode limitar a síntese de vitamina D, alguns estudos sugerem que a utilização de protetores solares com fator de proteção solar (FPS) maiores que 30 pode inibir de 95 a 99% a produção cutânea de vitamina D. Recomenda-se exposição solar sem protetor solar 2 a 3 vezes por semana por 10 a 15 minutos, de preferência entre as 10 e 15 horas . A cor da pele influencia na síntese, isso ocorre devido a maior quantidade de melanina, indivíduos de pele escura necessitam de uma exposição mais prolongada, 3 a 5 vezes maior.


Devemos lembrar de outros fatores, por vezes nem mencionados, que alteram a produção de vitamina D pela pele. Como a posição geográfica influenciando na quantidade da radiação UV que chega à superfície, decorrentes da angulação do eixo da Terra em relação ao Sol, ao longo do dia e ao longo do ano, a latitude e a altitude, também contribuem para a redução da produção de vitamina D. Outro fator a ser lembrado é que o vidro funciona como um filtro de radiação UVB, e que o inverno, por si, é fator de risco de hipovitaminose D.


A vitamina D é um dos hormônios responsáveis pela manutenção dos níveis séricos de cálcio e fósforo a partir da absorção intestinal e reabsorção óssea de cálcio. A deficiência prolongada de vitamina D provoca raquitismo e osteomalacia e, em adultos, quando associada à osteoporose, leva a um risco aumentado de fraturas.


Além da função no equilíbrio do cálcio e metabolismo ósseo, alguns estudos já relacionaram a deficiência de vitamina D com várias doenças autoimunes, incluindo diabetes mellitus, esclerose múltipla, doença inflamatória intestinal, lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide. A vitamina D também atua no sistema cardiovascular, em indivíduos hipertensos com níveis menores que 15 ng/ml possuem um risco 2X superior de desenvolver eventos cardiovasculares (IAM, AVC). Em obesos ocorre o depósito de vitamina D nos adipócitos o que reduz a sua biodisponibilidade.


Sugere-se que a vitamina D e seus análogos não só previnam o desenvolvimento de doenças autoimunes como também poderiam ser utilizados no seu tratamento. A suplementação de vitamina D tem-se mostrado terapeuticamente efetiva em vários modelos experimentais, como encefalomielite alérgica, artrite induzida por colágeno, diabetes mellitus tipo 1, doença inflamatória intestinal, tireoidite autoimune e LES. Baixos níveis séricos de vitamina D podem, ainda, estar relacionados com outros fatores como diminuição da capacidade física, menor exposição ao sol, efeito colateral de medicamentos, além de fatores nutricionais.


A vitamina D parece interagir com o sistema imunológico através de sua ação sobre a regulação e a diferenciação de células como linfócitos, macrófagos e células natural killer, além de interferir na produção de citocinas. O efeito da vitamina D no sistema imunológico se traduz em aumento da imunidade inata associado a uma regulação multifacetada da imunidade adquirida, induzindo a destruição de agentes infecciosos.


A ingestão recomendada é de: até 1 ano 400UI, Até 70 anos 600UI, maiores de 70 anos 800UI e gestantes 600UI.


A suplementação deve ser maior em gestantes porque a gestação é considerada um período crítico e sua deficiência pode estar associada ao desenvolvimento de diabetes mellitus gestacional, vaginose bacteriana, pré-eclâmpsia, baixo peso do recém nascido.


Além disso durante a gestação a vitamina D tem papel fundamental para o equilíbrio do cálcio e fósforo no organismo materno e fetal. Em lactentes a suplementação também é necessária, o leite materno possui baixas concentrações de vitamina D, mesmo que a puérpera tenha boa ingesta alimentar e boa suplementação, por isso a recomendação é que a suplementação com 400UI se inicie logo após o nascimento.


Em idosos a suplementação também é maior devido a atrofia cutânea, isso reduz a capacidade da pele em sintetizar a vitamina D. Além disso, com o passar dos anos, a exposição solar fica limitada por alterações no estilo de vida, uso de roupas mais fechadas, perda da mobilidade e redução das atividades ao ar livre. Fatores dietéticos, como pouca variedade e menor quantidade de alimentos ricos em vitamina D podem interferir, assim como a redução na absorção intestinal.


A suplementação de vitamina D deve ser sempre orientada por um médico. A vitamina D em excesso é capaz de ocasionar toxicidade devido ao aumento da absorção intestinal de cálcio e fósforo, causando hipercalcemia, hipercalciúria e hiperfosfatemia e resultando em fraqueza, calcificações de tecidos moles, incluindo-se vasculares. Os sinais e sintomas de toxicidade causados pela hipercalcemia são dificuldade alimentar, polidipsia, poliúria, obstipação, irritabilidade e redução no ganho de peso. Em caso de reposição oral, devem ser realizados exames periódicos para controlar as concentrações de vitamina D.


Agora já conhecemos todas as funções da vitamina D, e que na verdade ela é um hormônio, o qual mais de 80% é produzido na pele, sofrendo várias influências do meio em que vivemos. Sabemos também qual a quantidade deve ser suplementada e as consequências do excesso desse composto em nosso organismo. Lembramos que é sempre importante um acompanhamento médico para uma adequada orientação. Além disso é sempre bom lembrar que para um corpo realmente saudável e com imunidade adequada tudo deve estar em equilíbrio, partindo da alimentação saudável e exercício físico.



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