Coronavírus e dengue, quais as diferenças?


Estamos de volta com mais um artigo, e dessa vez vamos falar de algo muito atual. Com o período das chuvas é notável o aumento dos casos de dengue no consultório, e junto desses casos veio a pergunta de vários pacientes: Como diferenciar os sintomas entre dengue e COVID-19?


Após 1 ano a pandemia de Coronavírus continua e, assim como tem sido feito nos últimos meses, a população deve permanecer atenta para evitar o aumento de casos de Covid-19.


No entanto, a chegada da temporada de chuvas e do calor torna necessário redobrarmos os cuidados contra o Aedes aegypti, mosquito transmissor da Dengue, Zika e Chikungunya.


Tanto a Dengue quanto a Covid-19 são doenças virais, porém com forma de transmissão totalmente distintas. A Dengue é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti contaminado, ou seja, uma pessoa doente não transmite para outra. Já a transmissão da Covid-19 ocorre justamente de um indivíduo infectado para outro, quando o doente elimina partículas virais ao espirrar e tossir ou ao contato próximo.


Os sintomas são semelhantes e podem se confundir, febre, dor de cabeça e dor no corpo são sintomas comuns a ambas as doenças. E para diferenciar essas duas viroses precisamos nos atentar os sintomas provocados no local de origem da doença. A COVID-19 é uma doença respiratória, nesse caso é mais comum que o paciente apresente sinais como alteração do olfato e paladar, tosse seca, falta de ar e problemas respiratórios mais graves, como pneumonia. Já a dengue é uma doença que acomete a circulação sanguínea, ocorrendo manchas vermelhas na pele, queda de plaquetas no sangue, dores articulares, e problemas gastrointestinais, não sendo comum os sintomas respiratórios.


Agora que já sabemos as diferenças básicas vamos conhecer um pouco mais sobre a dengue. A dengue é uma doença causada por quatro diferentes sorotipos (DENV 1, DENV 2, DENV 3 e DENV 4) de um vírus do gênero Flavivírus e é transmitida, principalmente, pela picada do mosquito do gênero Aedes. Os sintomas da doença, geralmente, surgem entre 3 a 15 dias depois que o indivíduo foi picado e os sintomas duram em média uma semana.


A dengue pode ser classificada em dois tipos: a clássica e a hemorrágica. A dengue clássica é mais comum do que a hemorrágica e seu quadro é menos grave. Os sintomas da dengue clássica são: febre alta de surgimento repentino (39º a 40°), dores de cabeça, dores atrás dos olhos e no corpo, manchas e coceira na pele, náuseas, vômitos e tontura. Na dengue hemorrágica há dores abdominais intensas e contínuas, vômitos que não cessam, sangramentos na boca, nariz e gengiva, sede, dificuldade respiratória, sonolência e agitação. Esses sintomas tornam-se mais graves rapidamente, provocando até mesmo choque e a morte do paciente.


O diagnóstico é feito pela análise dos sintomas do paciente, exames de sorologia (que deve ser feito entre o 5 e 7 dia de sintoma), e pelo teste clínico que é a prova do laço. A prova do laço consiste na contagem, em uma área determinada, de pontos vermelhos na pele. Na dengue também é importante realizar um hemograma, que apesar de não ser um teste específico, pode apresentar plaquetopenia (baixa contagem de plaquetas), um indicativo de dengue.


A dengue não possui um tratamento específico, isso quer dizer que o tratamento feito é apenas para controlar os sintomas da doença e impedir o agravamento do quadro. É recomendado o uso de antitérmicos para controlar a febre e analgésicos para controlar a dor. É fundamental que não sejam usados salicilatos e anti-inflamatórios não hormonais, uma vez que podem desencadear hemorragias e acidose. Além da medicação, duas recomendações são primordiais: repouso e hidratação.


Por não existir um tratamento específico e, consequentemente, eficaz, é fundamental que a doença seja prevenida. Para isso, é necessário controlar a quantidade de vetores da doença na natureza, destruindo, principalmente, seus criadouros. Caso perceba a presença de mosquito em locais que frequenta, uma medida que pode diminuir as chances de contrair a doença é utilizar roupas que exponham pouco a pele e repelentes.


Outra forma de prevenção da dengue e pela vacina. Atualmente há uma única vacina disponível no mundo chamada Dengvaxia, produzida por uma multinacional francesa.


Indicada para prevenir a dengue causada pelos quatro vírus da dengue a vacina foi liberada em 2015 pela Anvisa para uso no Brasil para pessoas de 9 a 45 anos, residentes em áreas endêmicas. Ela é vendida em clínicas particulares e cada pessoa deve receber três doses, com intervalo de seis meses entre elas. Não está disponível no SUS e a dose custa em média de R$140,00.


Estar atento à limpeza e à higienização é um cuidado importante tanto para a Covid-19 quanto para a Dengue. Em relação ao Coronavírus, é necessário higienizar as mãos regularmente, utilizar máscaras de proteção e praticar o distanciamento social. Já para se proteger contra a Dengue, a principal medida é combater o mosquito Aedes aegypti, eliminando objetos que possam acumular água parada, assim como usar repelente regularmente.


Vale ressaltar que ao aparecimento de qualquer sintoma, seja de dengue, COVID-19 ou qualquer outra doença aguda você deve procurar atendimento médico. Quando você busca por atendimento você está cuidado da sua saúde e da saúde do próximo.




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