Dificuldades no aleitamento materno


Olá minhas queridas! Estamos de volta com mais um artigo do Agosto Dourado. Dessa vez vamos abordar os principais problemas e dificuldades encontrados no processo de aleitamento materno e o que fazer em cada situação.


A grande maioria dos problemas que acontecem no aleitamento materno são decorrentes da pega inadequada. Quando a pega não ocorre da forma correta além de provocar lesões no mamilo o bebê não é capaz de esvaziar completamente a mama, levando a estase do leite.


Um dos problemas mais comuns é o ingurgitamento mamário, que pode ser fisiológico e patológico. O ingurgitamento fisiológico ocorre durante a apojadura entre o 3° e 4° dia após o parto, as mamas encontram-se cheias, pesadas, quentes e sem qualquer sinal de vermelhidão ou edema. O bebê não encontra dificuldades para sucção do leite e a expressão manual ocorre com facilidade, sendo assim, essa situação fisiológica não requer nenhum tratamento específico.


Já no ingurgitamento mamário patológico acontecem três eventos: o leite não é drenado de forma eficiente, há aumento da vascularização local com congestão mamária e há obstrução linfática. As causas mais comuns estão relacionadas a técnica de amamentação incorreta, mamadas muito espaçadas, separação entre mãe e bebê, que levam a drenagem insuficiente do leite. Normalmente acontece entre o 3° e 7° dia após o parto, e as mamas encontram-se edemaciadas, doloridas e não drenam o leite com facilidade. Algumas mulheres poderão apresentar febre e mal estar. Como medidas preventivas recomenda-se: pega e posicionamento adequados, retirada eficaz do leite com livre demanda e evitar uso de suplementos.


O tratamento do ingurgitamento mamário consiste em: manter a amamentação com mais frequência e livre demanda, ordenhar manualmente o excesso de leite, realizar massagem circular quando as mamas estiverem túrgidas, ordenhar um pouco do leite antes da mamada, começar a mamada pelo seio mais túrgido, recomendar o uso de sutiã apropriado, de alças largas, que sustente bem os seios, fazer compressas frias nos intervalos entre as mamadas por um período não superior a quinze minutos, para diminuir a produção láctea, banho morno auxilia na liberação do leite, se necessário usar analgésico ou anti-inflamatório.


Outro problema bem comum é a dor mamilar, principalmente na primeira semana de pós-parto. Após esse período, se intensa e persistente, pode estar sendo provocada por trauma. As fissuras e bolhas são decorrentes da má técnica de amamentação (pega e posicionamento), mamilos curtos ou invertidos, disfunções orais da criança, da higiene desnecessária da aréola com uso de cremes, álcool e sabonetes e do oferecimento das mamas ingurgitadas. As principais medidas preventivas incluem: pega e posicionamento corretos, manter os mamilos secos, expondo-os ao sol e trocando os protetores mamilares com frequência, não usar sabões, óleos e álcool para limpeza dos mamilos, antes da mamada ordenhar um pouco de leite para deixar o bico mais macio, ao fim da mamada, introduzir o dedo mindinho no canto da boca do bebê para desfazer o vedamento soltando-o do peito sem traumatizar o mamilo.


O tratamento dos traumas mamilares é: orientar pega correta da aréola e a posição adequada do bebê durante a mamada, usar diferentes posições para amamentar, quando os mamilos já estão rachados, recomenda-se passar o próprio leite materno e deixá-los um pouco ao ar livre, ordenhar a mama antes da mamada para que o reflexo da ejeção já esteja presente quando o lactente iniciar a sucção, fazendo com que ele sugue com menos força, não usar sutiã muito apertado que impeça o arejamento do mamilo..


A mastite, uma complicação não tão comum, é o processo inflamatório da mama causada por estase do leite e infecção. Pode acometer somente a pele ou aprofundar-se pelo parênquima e interstício. As medidas preventivas da mastite são as mesmas para evitar o trauma mamilar e ingurgitamento mamário. Na mastite deve seguir as mesmas orientações do ingurgitamento mamário. É recomendado o uso de anti-inflamatório e antibiótico. Vale lembrar que nesse período de tratamento não se deve contraindicar a amamentação, pois a presença de bactérias no leite materno não trazem prejuízo à saúde do bebê. Se não tratada de forma eficaz pode evoluir para um abscesso mamário, que se caracteriza com intensa dor, formação de nódulo palpável e flutuante de pus e febre. Nesse caso é necessário realizar a drenagem cirúrgica, administrar antibiótico e esvaziar regularmente a mama.


Já um outro problema que pode acontecer é decorrente da insegurança da mãe em amamentar. A mãe produz em média 800 ml de leite por dia, o que é mais que suficiente para suprir as necessidades alimentares do bebê. Apesar disso muitas mães acham que tem pouco leite, ou que o leite é fraco. Isso é um mito! Esse sentimento materno pode estar relacionado a falta de informação, depressão puerperal, técnica inadequada de amamentação, afecções mamárias, como as que já abordamos nesse artigo. A insegurança materna, o ambiente familiar desfavorável, o estresse acabam liberando fatores hormonais que atuam reduzindo a produção de leite.


O leite materno é insuficiente para o bebê quando: o ganho de peso é insuficiente, o bebê não fica saciado após a mamada, o bebê chora muito mesmo após a mamada, ocorre redução da diurese, menos de 6 vezes por dia ou alteração das evacuações, com fezes em pequena quantidade, secas e endurecidas. As principais causas de insuficiência láctea são: técnica inadequada de pega e posicionamento, afecções mamárias como ingurgitamento mamário, fissuras, mastite, mamilos planos ou invertidos, depressão puerperal, uso de chupetas e complementos, medicações que reduzem a produção do leite, álcool, nicotina, doenças maternas sistêmicas e doenças neonatais.


De um modo geral a grande chave para um aleitamento materno de sucesso se baseia em uma mãe bem informada e tranquila, que possui uma rede de apoio que realmente lhe auxilie, dessa forma é possível corrigir os erros que acontecem prevenindo e tratando as intercorrências durante todo esse processo. Outro fator importante é não ter medo de pedir ajuda, existem profissionais que podem auxiliar a mãe a encontrar a melhor posição para amamentar e corrigir a pega, e dessa forma tornar o aleitamento materno uma fase linda e cheia de amor.



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