Memórias e experiências de Rosangela Miles...



Hoje compartilharemos a história de Rosangela Miles de Oliveira, sinônimo de força e superação que através da sua vivência inspira mulheres a superar desafios, sempre oferecendo uma mão amiga e boas palavras para somar com quem precisar.


Rosangela Miles é a 6ª filha de sete irmãos, nasceu em Maringá (PR), uma terra de onde guarda boas lembranças de sua infância, inclusive dos pés de abacate e de goiaba plantados no quintal de sua casa. Ela conta que costumava subir no pé de goiaba para estudar e quando queria se sentir feliz.


O desafio de levantar cedo e ir a pé para a escola, sob forte geada com chuva e muito frio, era uma das rotinas que encarava nessa fase de sua vida. Diante disso, os primeiros passos para alfabetização em uma escola particular também proporcionaram novos obstáculos a serem superados, como conta a seguir:

“Meu pai, na época funcionário da prefeitura de Maringá, ganhou 2(duas) bolsas de estudos, uma para mim e outra para minha irmã. E lá fomos nós, estudarmos em uma escola particular. Filhas de pessoas simples, sem muitas condições financeiras, passamos alguns constrangimentos por não ter o mesmo “nível” social que as outras, hoje o povo fala que é o “bullying”. Mas, lá aprendi também que podemos conviver e viver em qualquer lugar, superando os desafios a cada dia, mesmo passando vontade dos lanches que as colegas levavam e até das festinhas que não tínhamos condições de participar por não ter dinheiro”.


Depois de 4(quatro) anos estudando nessa escola, Rosangela e sua irmã se mudaram para uma escola municipal. “Lá me sentia bem melhor, parece que todos eram iguais a mim”, diz ela. No intervalo entre as aulas recebiam a merenda que muitas vezes era a primeira refeição do dia. Na volta para casa, além dos deveres escolares, havia o rodízio dos serviços de casa a serem feitos. Uma vez que os deveres estivessem cumpridos, podiam ir brincar na rua.

“Embora uma infância sem muitos brinquedos e outras coisas mais, sinto que ela foi marcada pelo amor de meus pais pelos seus filhos, mostrando que mesmo com dificuldades financeiras para criarem seus setes filhos, existia amor para darem á nós”.


Outro fato significativo em sua infância foi a dupla sertaneja de seu pai, “Milinho e Campineiro”. Seu pai adorava tocar músicas sertanejas e ela o admirava por conta disso. Quando a dupla estava em casa aos domingos, ela e seus irmãos ouviam atentamente quando cantavam a música Porta do Mundo e Utopia (Pe. Zezinho). Seu pai chegou a participar de festivais musicais e um dia disse a Rosangela que, quando ele falecesse, ela ficaria com todos os troféus que ele havia ganhado.

“Já faz 22 anos que ele se foi, os troféus ainda estão lá na minha mãe, mas eu ainda não posso buscar, ela não deixa. Quando vou passear na casa dela, olho para a prateleira onde estão as relíquias e me lembro dele cantando”.


A forma como Rosangela e seu companheiro se conheceram foi bem interessante. Sua irmã mais velha tinha uma vizinha de quem era bem amiga. Um dia, Rosangela estava passeando na casa de sua irmã e essa vizinha disse que seu irmão, o qual morava em Mato Grosso, estava vindo passar as férias na casa dela e gostaria de apresentá-lo para Rosangela e sua irmã. E, enfim, chegou o dia tão esperado.

“Ela nos apresentou e eu senti na hora uma coisa diferente dentro de mim, que ainda não tinha sentido. À noite, a amiga de minha irmã disse que tinha um aniversário pra ir, me convidou e eu fui. Nas festas daquela época tinham baile e ele me chamou para dançar, dançamos, saímos para o lado de fora da casa e ele perguntou: Posso te dar um beijo? Eu disse sim”.


Os primeiros anos de casamento não foram muito fáceis para Rosangela, apesar de muito amor, ela sofria com a distância da família, pois se mudou de Maringá (PR) para Tangará da Serra (MT). Conta que chorava todos os dias de saudades, situação esta que se intensificou com a descoberta da gravidez com apenas dois meses de casada.

“Engravidei muito nova, aos 18 anos de idade, era recém-casada, não sabia muito de como era ser mãe. Aprendi sozinha os desafios da linda missão da maternidade”. Em sua segunda gravidez, já aos 26 anos de idade, Rosangela estava de sete meses e, por falta de condições financeiras, ainda não tinha comprado nada para o enxoval de seu filho. Seu companheiro falava: “vamos comprar tudo de uma vez daqui uns dias, se Deus quiser”. Ela conta que, passado uns dias, estava em casa e bateram palmas no portão, sendo surpreendida por uma entrega dos Correios. Era uma caixa enorme e dentro dela havia o enxoval completo de seu filho, tinha até roupa de grávida que usou até o menino nascer. O presente foi enviado por sua família, no Paraná.


Dessa forma, após o nascimento de seus dois filhos (Camila, hoje com 31 anos e Lucas, de 23), com muito esforço e dedicação, Rosangela formou-se em jornalismo, cursou quatro anos de faculdade, estagiando e cuidando das crianças, ainda pequenas. Não sobrava muito tempo para estudar, então ela fazia os trabalhos da faculdade quando chegava em sua casa, já tarde da noite.

“No último ano de faculdade, tive até que ser hospitalizada, muito cansada, com TCC-Trabalho de Conclusão de Curso, para entregar e trabalhando. Mas sempre pensando que aquilo era um momento e que um dia ia passar e eu ia ser vitoriosa. Graças a Deus isso aconteceu”.


Anos depois, a vida apresentou mais uma dificuldade para ser vencida em sua vida: a Síndrome do Pânico e Depressão. “Eu não sabia a princípio o que eu tinha. Cada dia que passava sentia sintomas de mal-estar físico e psicológico, eles aumentavam gradativamente” diz. “Apesar de procurar ajuda de profissionais, fazer algumas consultas, “check-up”, não recebia nenhum diagnóstico e continuava sofrendo.”

Ouvia as pessoas dizendo que eu precisava ter forças para vencer aquilo. Eu tentei, fui a vários especialistas e eles diziam sempre a mesma coisa: que eu precisava me tranquilizar pois aqueles sintomas iriam passar”.


Foi graças a uma mão amiga que ela conseguiu encontrar um caminho para se curar.

Lembro-me como se fosse hoje, era um sábado de manhã, uma amiga chegou a minha casa disse: Se arruma vou te levar em uma consulta, com uma pessoa especial. Eu não queria ir, mas com a insistência e pela grande amizade que tenho por essa amiga, fui. Fiquei quase duas horas em uma terapia. Sai de lá mais leve. Resolvi continuar o tratamento, ia uma vez por semana na psicóloga. Com o passar de algumas semanas, aqueles sintomas que eu sentia, de ansiedade e mal-estar, foram ficando cada vez menores. Fui encorajada a me enxergar e tirar de dentro de mim aquilo que não me pertencia e aceitar as coisas que eram necessárias”.

Dessa maneira, além de seu esforço pessoal e sua determinação em seguir o tratamento proposto pelo profissional competente, uma mão amiga também foi de grande auxílio para se reerguer. O auxílio ao próximo é uma grande lição que essa experiência lhe proporcionou. Hoje, quando pode e é solicitada, Rosangela compartilha sobre o que passou, com o objetivo de encorajar outras pessoas a superarem seus problemas, sejam lá quais forem.


Mulher vitoriosa, mãe de dois filhos e avó, enxerga a vida como uma dádiva de Deus. E mesmo diante de tantos desafios, a vida está aí, para ser vivida e honrada todos os dias.

“Agradeço meu esposo, que sempre esteve ao meu lado, em muitos momentos da minha vida e aos meus pais por terem me trazido a esse mundo. Sou grata também a Deus e a

Virgem Mãe Santíssima por terem me dado à oportunidade de ser mãe de dois filhos maravilhosos e ser avó de um neto. Quero viver muitos e muitos anos, até quando Deus quiser e assim honrar a missão que me foi dada, que é estar aqui na terra cumprindo minha missão.”


Para você que lê esse texto, Rosangela deixa sua mensagem:

Tenham sempre força, coragem e disposição. Nunca desistam de seus sonhos e da vida que lhes foram concedidas. Que mesmo, muitas vezes, diante de algumas dificuldades possamos buscar força de dentro do nosso “útero”, pois é de lá que viemos, é de lá que geramos a vida. É a grande missão que temos mulheres, de trazermos um espírito a terra, e as que ainda não podem gerar, têm a missão de fazer brotar e gerar esse amor dentro do coração”.




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