O aleitamento materno e a composição do leite


Olá minhas queridas! Estamos de volta com mais um artigo do Agosto Dourado. Dessa vez vamos abordar o aleitamento materno em si, falaremos da técnica correta da pega do bebê e sobre a composição do leite materno.


O aleitamento materno exclusivo é recomendado até os seis primeiros meses de vida sendo considerado o modo mais natural e seguro de alimentação para o recém nascido. O leite materno é de fácil digestão para o bebê, o que facilita o ganho de peso, reduz o risco para enterocolite necrotizante, fornece proteção imunológica através de fatores imunológicos maternos e promove a redução da mortalidade infantil.


Todas as mulheres por natureza são capazes de amamentar. Algumas, devido as suas variações anatômicas necessitam de atenção especial nesse processo, e quanto mais precoce for o início do aleitamento materno e com apoio dos profissionais no manejo da lactação o aleitamento materno se estabelecerá com tranquilidade.


O início da amamentação deve ocorrer ainda na sala de parto, nas primeiras horas de vida. O recém nascido permanece acordado e alerta por cerca de 6 horas após o nascimento, dessa forma o contato com o seio materno na sala de parto estimula o processo de lactação, como abordamos em nosso artigo anterior, de forma mais rápida. Após esse período de 6 horas o bebê entra em sono profundo por cerca de 12 horas, não ocorrendo a amamentação por todo esse período.


O esvaziamento gástrico do recém nascido varia de 1 a 4 horas ao longo do dia, sendo assim o tempo entre uma mamada e outra obedece o tempo de esvaziamento gástrico. Por conta disso que o leite materno deve ser oferecido em livre demanda.


Ao nascimento, o recém-nascido a termo já apresenta plenas condições de alimentação por via oral. Os músculos da face encontram-se desenvolvidos e desempenham adequadamente as funções de sucção e deglutição, o que garante à criança todos os benefícios da amamentação no seio materno. Porém, o bebê prematuro pode apresentar dificuldades durante o processo de alimentação, pois apresenta uma imaturidade neurológica, anatômica e funcional do trato gastrintestinal.


O bebê deve sugar a mama até esvaziá-la completamente, este é um ponto importante porque sabemos que o leite anterior é mais rico em água, vitaminas, fatores imunológicos e proteína e o leite posterior é rico em lipídios, permitindo que o bebê fique nutrido por mais tempo, ganhe mais peso e aumente o intervalo entre as mamadas, chorando menos e promovendo maior descanso materno. Como já abordamos nos primeiros dias após o parto é produzido apenas o colostro, ele não sacia o bebê como o leite maduro, sendo assim os intervalos entre as mamadas são mais curtos. É importante a mãe ter ciência disso para não surgir aquela confusão de “meu leite é fraco, tenho que dar fórmula para o meu bebê”, o leite materno não é fraco em nenhum momento, ele sempre será o ideal para seu filho suprindo todas suas necessidades.


Com o crescimento da criança, o intervalo das mamadas aumenta, ao final da primeira semana bebês saudáveis estarão tomando um volume de leite de 60-90 ml/mamada e terão uma frequência média de 8-12 mamadas/dia. Um bom parâmetro para avaliar a qualidade do aleitamento é a baixa perda de peso ao final da primeira semana e ganho de peso ao final da segunda semana. Vale lembrar que o recém nascido pode perder até 10% de seu peso de nascimento durante a primeira semana, e isso é normal.


O leite humano varia a sua composição ao longo do dia e ao longo do período de amamentação, de modo a proporcionar aos lactentes os nutrientes e componentes específicos adequados a cada idade e situação. Desse modo, não existe técnica capaz de reproduzir artificialmente os efeitos completos e dinâmicos das substâncias presentes no leite humano. Principalmente para os bebês prematuros, o aleitamento materno pode trazer mais algumas vantagens, pois as propriedades nutritivas e imunológicas do leite materno favorecem a maturação gastrintestinal, o fortalecimento do vínculo mãe-filho, aumento no desempenho neuropsicomotor, proteção antioxidante, menor incidência de infecções, menor tempo de hospitalização e menor incidência de reinternações.


Como já mencionamos, a composição do leite sofre diversas variações. Uma dessas variações corresponde às fases de lactação, dividida na produção do colostro, o leite de transição e o leite maduro. O colostro é o leite produzido nos primeiros dias após o parto.

É espesso e de cor amarelada, possui maior conteúdo de proteína, vitaminas lipossolúveis, sódio e zinco, e menor teor de gordura, lactose e vitaminas hidrossolúveis, quando comparado com o leite maduro. Possui altas concentrações de fatores de defesa, como as imunoglobulinas e agentes antiinflamatórios, conferindo proteção ao recém-nascido. O colostro também é laxativo favorecendo a eliminação do mecônio (as primeiras fezes escuras), retirando a bilirrubina do intestino, ajudando a prevenir a icterícia. O leite de transição é aquele produzido no período intermediário entre o colostro e o leite maduro, ou seja, aquele produzido entre o 7º e o 14º dia após o parto. Nesta fase, a composição nutricional se modifica até se transformar em leite maduro.


O leite maduro é constituído de 87% de água, o que promove a adequada hidratação do lactente durante os 6 meses de vida, por isso não é necessário oferecer água ao bebê. Esse leite também oferece a quantidade adequada de carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminas e minerais para garantir adequado crescimento e desenvolvimento da criança. A concentração de gordura é mais elevada no fim da mamada, sendo necessário o esvaziamento completo da mama para que o bebê receba um leite mais rico em gordura, importante para o desenvolvimento cerebral, adequado ganho de peso e sensação de saciedade.


Há várias posições para amamentar, mas o mais importante é o conforto materno e a execução correta da técnica. Pode ser feita na posição sentada, deitada ou em pé. É importante que a mãe utilize de apoios para os braços e mantenha uma postura adequada, de modo a ficar o mais confortável e relaxada possível. A pega adequada consiste em bebê com a boca bem aberta, a mama deve ser segurada com o polegar acima da aréola e o indicador e a palma da mão abaixo, com a mão em formato de “C”, isto facilita a “pega” adequada, lábios virados para fora, queixo tocando a mama, aréola mais visível na parte superior que na inferior, bochecha redonda e sem estalidos ou covinhas. O bebê abocanhando a maior parte da aréola suga mais leite e evita fissuras na mama.


Quando a mama estiver muito cheia, antes de amamentar, é preciso realizar uma ordenha manual para facilitar a pega do bebê. Com os dedos indicador e polegar, se comprime suavemente as regiões acima e abaixo do limite da aréola para a ordenha do leite materno. A alternância das mamas é necessária. A cada mamada deve ser oferecida a mama oposta da mamada anterior.


Os sinais indicativos de técnica inadequada de amamentação são: bochechas do bebê encovadas a cada sucção, ruídos da língua; mama aparentando estar esticada ou deformada durante a mamada, mamilos com estrias vermelhas ou áreas esbranquiçadas ou achatadas quando o bebê solta a mama e dor na amamentação.


Para a manutenção da amamentação, a mãe precisa receber apoio e ajuda com foco em suas dificuldades. Nesses momentos, devem ser oferecidas informações relevantes que proporcionem tranquilidade e que a faça sentir-se mais confiante para amamentar. O que precisa ficar claro nesse artigo de hoje, é que o leite materno é o melhor alimento para o bebê, nenhum leite artificial irá proporcionar os benefícios do aleitamento materno.



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