Quanto sentimento cabe num abraço?


Eu sei que em tempos de isolamento social não tá fácil aguentar a vontade de sair abraçando o porteiro, a faxineira pela falta que você sentiu deles, o tio da quitanda que não fechou as portas, tantas pessoas que faziam parte do seu dia a dia mesmo que você não notasse o quanto elas são importantes apenas por fazerem o que era necessário para que tudo estivesse no devido lugar dentro da sua ilusão de estabilidade, ao sair para trabalhar e ao retornar para casa. A gente sente o valor que tem isso quando isso não está mais lá. Inclusive os abraços que não serão dados nem quando o isolamento tiver acabado. Tem tanto abraço represado que tenho a impressão que quando as pessoas estiverem liberadas pra abraçar haverá uma explosão de demonstração de carinho, afeto e amor na população. Claro, isso se durante o isolamento as pessoas tiverem passado pelas metamorfoses da borboleta e se liberarem das amarras sociais que faziam as regras quanto ao doutor e a doutora não poderem jamais abraçar o oficeboy e a tia do cafézinho. Quem sabe depois de tudo que estamos passando as pessoas tenham despertado para a realidade dos abraços que curam quem dá e quem recebe ao mesmo tempo e tenham se dado conta do quanto somos frágeis, pequenos e nem mais nem menos importantes do que todos os outros seres vivos do planeta, muito menos melhores uns que os outros entre nós humanos.

Esse abraço foi uma troca como todos os abraços correspondidos. A moça da foto tem a cabeça de uma criança de sete anos e já teve tantas vitórias desde que o trabalho da Fraternidade sem Fronteiras começou em Ambovombe, que as pessoas que vieram nas primeiras caravanas nem reconheceriam. Ela é sempre assim, carinhosa e carente ao mesmo tempo. Eu nunca sei se ela se aproxima porque sente necessidade de receber essa atenção ou se ela percebe o quanto eu mesma estava precisando desse abraço. No final das contas as duas recebem o que estão precisando e isso é a magia do simples e poderoso ato de abraçar. Mais do que estender a mão pra alguém, abraçar significa que somos um. Nem maior nem menor, simplesmente irmãos.

Enquanto o isolamento social continua, que tal abraçar as pessoas que vivem dentro da sua casa? Mora sozinha? Fica triste não! Árvores são tão boas de abraçar que só quem já experimentou sem preconceito sabe o benefício que tem. Não tem como abraçar uma árvore? Abraça o gato, o cachorro, seus animais de estimação. Não tem nenhum? Abrace a si mesma! Ninguém merece mais que você esse seu abraço. Aceite receber essa atenção. É só até estarmos liberados para sair abraçando o mundo literalmente. Esse nosso planeta talvez seja o mais necessitado desse grande abraço.

Por enquanto fica aqui meu abraço virtual e essa imagem que apesar de não capturar tantos sentimentos, pode encorajar você a tomar uma atitude o quanto antes e dar um longo, aconchegante e caloroso abraço na primeira pessoa que encontrar aí dentro da sua casa.


Um feliz mês de maio a todas nós.



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