Reflexão para o Dia Internacional das Mulheres


No dia das Mulheres, quero agradecer pela minha vida que materializa a história de luta de muitas mulheres que vieram antes de mim. Quero agradecer por todas aquelas que tornaram possível a minha existência: por todas que participaram da minha construção enquanto indivíduo pertencente a uma sociedade, por todas as militantes que tornaram possível eu ter uma profissão, por todas as mulheres que repaginaram a história e disseram que não nasceram apenas para ocupar o espaço doméstico, cuidando da casa e dos seus filhos, mas também para ocupar os espaços públicos, contribuindo e participando da construção da sociedade.

Vivemos um período difícil, psicologicamente desgastante, com um cenário político em que as divergências legislativas se expressam de maneira intensa e complexa. Além disso, o alto índice de demissões e mortes, devido a pandemia Covid-19,tem tirado as esperanças de muitas pessoas. Reivindicar um pensamento otimista em um cenário como esse pode até parecer ridículo. No entanto, podemos examinar a nossa história e perceber que não somos os únicos a passar por momentos turbulentos. Ao revisitar a história, talvez possamos encontrar pessoas que com força e resiliência encheram o mundo de esperança, superaram momentos de crise e podem ser inspiração para nós hoje.


Neste sentido, que neste 8 de março, data em que se homenageia o Dia Internacional da Mulher, quero dar visibilidade à uma mulher que foi precursora do direito ao voto feminino, Leolinda de Figueiredo Daltro. Mulher que diante de uma conjuntura política conflituosa teve resistência psicológica para enfrentar uma realidade indigesta e transformá-la.


As conquistas de novos Direitos sempre vieram de lutas árduas, pois nem todos os cidadãos têm consciência das injustiças sociais: há aqueles que nem as percebem e os que as percebem, mas não fazem nada a respeito. Porém, há os que as percebem e decidem buscar formas de transformar a realidade social ao invés de se resignar diante delas.


A luta pelo direito feminino não foi diferente. Houve muita resistência para reconhecer a importância das mulheres na vida política. Não são todas as pessoas que nascem com um olhar sensível e altruísta, capaz de reconhecer as injustiças sociais, algumas precisam de exercício e de construção para conquista-lo.


Leolinda de Figueiredo Daltro desenvolveu essa habilidade, sua história é atravessada pela história de luta das mulheres brasileiras, graças à sua convicção, contribuiu para uma revolução na história brasileira, pois sua luta tornou a participação política direta das mulheres, por meio do voto. A participação das mulheres na política se tornou um Direito de extrema relevância para a equidade de gênero.

Segundo dados do IBGE, quando falamos do Brasil, em termos de população nós mulheres somos a maioria. Somos mais da metade da população brasileira. Dados de 2019 apontam que 51,8% da população brasileira são mulheres. No entanto, quando se trata de posições capazes de transformações sociais, ainda somos a minoria!

No Brasil, por meio de estatísticas e índices, observamos que vivemos em uma realidade social que reproduz desigualdades entre homens e mulheres, o que torna a vida das mulheres muito mais difícil:


O Brasil tem 67 milhões de mães, segundo pesquisa do Instituto Data Popular. Dentre elas, 31% são solteiras (cerca de 20 milhões) e 46% trabalham. Com idade média de 47 anos, 55% das mães pertencem à classe média, 25% à classe alta e 20% são de classe baixa. Pouco mais de um terço dos filhos adultos (36%) ajudam financeiramente as progenitoras[1].


Pelo número de mulheres solteiras podemos inferir que muitas são mães solo, isso porque muitos homens deixam de exercer seu papel paterno, participando pouco da responsabilidade de educar e sustentar os filhos, por sua vez, sobrecarregando a figura materna.


Outro dado alarmante é que o Brasil é 5º pais, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), que mais mata mulheres. O que nos provoca a dizer que o Brasil precisa de políticas públicas efetivas e mais eficiente para combater as violências contra as mulheres.

Com a pandemia o mundo todo sofreu as consequências, mas é preciso frisar aqui que a maneira que cada grupo social sofreu foi diferente, especialmente no que tange as relações gênero. No caso das mulheres, além das angústias da própria situação pandêmica, ocorreu um aumento dos casos de violência, expresso pela ampliação de números de denúncias em todo mundo.


Diante desta realidade, o que podemos fazer como integrante dessa sociedade que tem tido um aumento nos índices de violência contra a mulher? Bom, penso que o primeiro passo é reconhecer a desigualdade de gênero, já que o cenário está longe de ser igual para homens e mulheres. Diante desse reconhecimento, começar a debater e refletir formas para combater essa realidade e alcançar mudanças significativas.


Leolinda Figueiredo Daltro, nascida no final do século XIX, mulher, mãe de 5(cinco) crianças, lutou pela emancipação da mulher, pelo direito ao voto, pelo direito a participação política e pelos direitos indígenas. Que tal neste dia das mulheres nos inspirarmos em mulheres como ela, que não se conformaram com a realidade que viviam e foram a luta de construir um mundo mais equânime?


Neste dia 8 de março, além de parabenizar todas as mulheres, quero dizer que hoje é um dia simbólico de luta e resistência, pois apesar de termos avançado, ainda precisamos de mais transformações sociais para que todas as mulheres tenham o direito a viver de forma digna, livre e justa.


Referências:

Karawejczyka, Mônica. Os Primórdios do movimento sufragista no Brasil: o feminismo “pátrio” de Leolinda Figueiredo Daltro.Estudos Ibero-Americanos. PUCRS, v. 40, n. 1, p. 64-84, jan.-jun. 2014. Disponível: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/iberoamericana/article/download/15391/12462Acesso: 07/03/21.


MOVIMENTO FEMINISTA. Leolinda De Figueiredo Daltro.Disponível:http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/DALTRO,%20Leolinda%20de%20Figueiredo.pdfAcesso 07/03/21.


MELLO, Daniel. Brasil tem mais de 20 milhões de mães solteiras, aponta pesquisa. Blogue UOL. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/05/10/brasil-tem-mais-de-20-milhoes-de-maes-solteiras-aponta-pesquisa.htm?cmpid=copiaecola.Acesso 07/03/21.


Morin, Edgar.Resistir as incertezas é parte da educação” diz edgar morin. Entrevista Revista Prosa, Verso e Arte. Disponível: https://www.revistaprosaversoearte.com/resistir-as-incertezas-e-parte-da-educacao-diz-edgar-morin/Acesso 07/03/21.


GOVERNO FEDERA. Quantidade de homens e mulheres.Website Educa IBGE. Disponível: https://educa.ibge.gov.br/jovens/conheca-o-brasil/populacao/18320-quantidade-de-homens-e-mulheres.html


PRESSE, France. Com restrições da pandemia, aumento da violência contra a mulher é fenômeno mundial. Website G1 Globo.Disponível: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/11/23/com-restricoes-da-pandemia-aumento-da-violencia-contra-a-mulher-e-fenomeno-mundial.ghtml

[1] MELLO, Daniel. Brasil tem mais de 20 milhões de mães solteiras, aponta pesquisa. Blogue UOL. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/05/10/brasil-tem-mais-de-20-milhoes-de-maes-solteiras-aponta-pesquisa.htm?cmpid=copiaecola. Acesso 07/03/21.



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