"se a gente pode ser feliz vendo o outro sofrer?"(Dez poemas diferentes, Santanna)



Hoje eu quero falar para vocês porquê eu, meu esposo e nossos três filhos pequenos viemos morar em Madagascar. Eu e meu companheiro viemos fazer trabalhos diferentes que se complementam numa ONG que tem projetos no Brasil e na África com causas humanitárias.


Meu esposo veio em novembro de 2018 convidado por uma alma generosa, madrinha e voluntária da Fraternidade Sem Fronteiras que estava buscando parceira com agroecologistas para somar nos projetos. Ele veio junto com outros voluntários na caravana que a FSF organiza para os padrinhos que querem auxiliar mais de perto e vivenciar no local dos projetos como o trabalho está acontecendo. Quem participa de uma caravana dessas nunca mais é a mesma pessoa. Por ser uma experiência tão profunda de encontro com o que há de mais humano em cada um eu já sabia que muita coisa ia mudar a partir dessa oportunidade. Ele realmente voltou diferente e a experiência tocou profundamente a mim também que senti um pouco de tudo que ele viveu nesses 20 dias fora de casa vendo o mundo através dos olhos dele. No início do ano seguinte nasceria nosso terceiro filho e também um objetivo em comum: ensinar nossos filhos a amar as pessoas sem fronteiras geográficas, de classe, religião, gênero, etnia, escolha polícia, orientação sexual, amar a toda a humanidade como irmãos, ao planeta que nos abriga e alimenta, nossa casa-mãe e todos os seres que nela habitam. Acreditamos que a melhor maneira de ensinar é pelo exemplo, então resolvemos fazer da nossa própria vida um exemplo coerente com os valores que queremos construir. Decidimos passar no mínimo um ano nos dedicando em um dos lugares mais necessitados do mundo em busca de aprender a servir.


Sabemos que temos algo de nós a oferecer e muito mais a receber nessa troca de aprendizado a que nos propomos. Colocamos as diversas consequências dessa decisão na balança, os riscos, as oportunidades, examinamos as possibilidades e fomos abraçar nosso destino com coragem e muita vontade de fazer nosso melhor. Deixamos nossos familiares e amigos com o coração apertado para viver o que muitos chamaram de aventura na África.


Bem, não viemos fazer um safari, o campo de observação aqui é bem diferente. Viemos morar no Campo da Paz. Um lugar que acolhe cerca de 900 pessoas todos os dias para oferecer comida, tratamento médico, instruções de higiene pessoal, água e espaço para lavar roupa, água e banheiro para banho, além de outros serviços básicos. Tudo isso é oferecido gratuitamente numa cidade conhecida pelos altos índices de fome, morte prematura, aborto, desnutrição severa, doenças de pele, doenças respiratórias, tuberculose... Bom, os índices de muitas coisas que não desejamos a ninguém na face da Terra, mas que infelizmente acometem milhares de pessoas. Antes da ONG estar aqui as pessoas atendidas hoje pelos projetos comiam algo a cada três dias. Não tomavam banho por falta de água, sofrendo com a falta de higiene e saneamento básico. As crianças perdendo dedos e partes dos pés comidos por bichos-de-pé. Eu sei, é uma situação até difícil de imaginar.


Mas hoje os números mostram uma população transformada pelas ações tão simples e tão importantes que são possíveis por causa da doação de voluntários e apadrinhamento mensal de almas generosas que moram do outro lado do mundo. A maioria acompanha os projetos de longe pela internet e estão vendo as mudanças, sendo a mudança que querem ver no mundo.


Iniciamos outros projetos nos quais estou concentrando minha dedicação profissional para trazer dignidade, sustentabilidade e empoderamento até a vida das pessoas das comunidades atendidas pela Fraternidade Sem Fronteiras. Isso se dá através de workshops que ensinam profissões e gerenciamento financeiro. Estamos construindo um Novo Campo da Paz com instalações mais adequadas e sustentáveis, ensinando a plantar agrofloresta, construindo banheiros secos, construindo um centro de aprendizado, uma escola onde atenderemos crianças, jovens e adultos, construindo um novo refeitório, cozinha, cantina e também novos alojamentos para os visitantes, além das casas dos que moram aqui para acompanhar e coordenar os projetos. Tudo isso é possível, e muito mais porque as pessoas acreditam na força do amor e da fraternidade. Mas ainda há tanto trabalho a fazer, tantas pessoas que ainda não foram alcançadas pelos projetos, tantas famílias que vem de muito longe a pé para buscar auxílio quando já estão em situação de grande vulnerabilidade em tantos sentidos. Sabemos que dinheiro não compra felicidade, mas compra água, comida, educação e tantas outras coisas que tornam a qualidade de vida das pessoas muito melhor.


Eu e minha família já recebemos tanto faz vida que encontramos nesse trabalho um maneira de demonstrar nossa gratidão fazendo algo para melhorar a vida de pessoas que vivem, ou melhor, que sobrevivem muito abaixo da linha da pobreza e ainda tem tanta alegria de viver que chega a ser contagiante.


Se você quer conhecer mais dessa obra e somar com ela, por gentileza, sinta-se convidada. Acessando o site www.fraternidadesemfronteiras.org.br você pode conhecer este e muitos outros projetos e ações bem como as diferentes formas de dar sua contribuição e fazer parte dessa família de corações fraternos. Eu acredito no bem, não quero ser omissa em relação ao mal que tenta devorar o planeta através dos seres humanos, quero ser a mudança que quero ver no mundo e convido vocês a darem as mãos por essa causa nobre.


Nos dias 17 a 19 de abril tivemos um Encontro gratuito e online, o IV Encontro da Fraternidade Sem Fronteiras que deixou gravadas no YouTube muitas Lives interessantes com os temas dos atuais projetos. É possível encontrar todas elas no canal oficial da ONG e ouvir o depoimento de pessoas famosas que apoiam a causa. Em Ambovombe já estamos a serviço de mais de 3.500 pessoas e sabemos que há muitas mais a serem beneficiadas.




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