Não é questão de estética!


Dessa vez vamos falar de um assunto pouco valorizado pela mídia. Li muitas notícias a respeito do coronavírus e em algumas delas tinham algo assim: “morre vítima por covid19 sem comorbidades, ele só era obeso”.

O que as pessoas estão menosprezando é que obesidade é um doença. Doença crônica definida pelo acúmulo de tecido adiposo no organismo, resultante da quebra do balanço energético, ou seja, maior consumo do que gasto energético, também podendo ser causada por doenças genéticas e/ou endócrino metabólica. A Organização Mundial da Saúde (OMS) conceitua a obesidade como uma doença de difícil etiologia e de controle complexo, considerando-a como um transtorno alimentar da modernidade.

No Brasil estimam-se cerca de 20 milhões de obesos, e em torno de 50% da população está em sobrepeso. Fato considerado pelo Ministério da Saúde problema de saúde pública.

O diagnóstico é feito com base no cálculo do IMC (índice de massa corporal), que avalia a relação entre o peso e a altura. Quando o IMC é maior do que 30 a pessoa é considerada obesa, e quanto maior o índice maiores as chances de desenvolver diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, problemas articulares, doenças respiratórias, depressão, entre outros, problemas diretamente ligados à pior qualidade de vida e menor longevidade. Mas os problemas já podem começar a aparecer na fase de sobrepeso. Outras medidas úteis para avaliação corporal é o cálculo de porcentagem de gordura corporal e a circunferência abdominal.

Uma consequência da obesidade é a queda da imunidade. Isso acontece porque o excesso de gordura produz um estado de inflamação crônica com aumento da produção de diversas citocinas inflamatórias, isso provoca uma queda na capacidade de resposta do sistema imunológico a patógenos, como o coronavírus, por exemplo.

Outra consequência da obesidade, que muitas vezes nem é mencionada, é a infertilidade, tanto masculina quanto feminina. Para os homens o peso interfere diretamente na produção (quantidade, mobilidade e qualidade) de espermatozóides e na qualidade (pH e concentração) do esperma, pois altera os níveis de testosterona. Quanto maior o sobrepeso ou obesidade, menor é a qualidade do esperma. Comparada à de um homem saudável, a concentração de espermatozoides em um com sobrepeso é cerca de 10% menor, podendo chegar a 20% em homens obesos. Além da quantidade, a mobilidade dos espermatozoides também é inferior.

Do mesmo modo que a obesidade interfere na produção hormonal dos homens, também prejudica os hormônios femininos. O excesso de gordura atrapalha tanto a produção quanto a metabolização do estrogênio, acarretando em problemas de ovulação. A SOP (Síndrome do Ovário Policístico) é mais comum em mulheres acima do peso ideal, que também apresentam mais disfunções nas tubas uterinas e no endométrio. A qualidade ou ausência de óvulos é uma consequência das disfunções hormonais causadas pelo sobrepeso. Além da infertilidade, mulheres obesas têm três vezes mais complicações obstétricas que as sadias e o dobro de risco de aborto espontâneo e de prematuridade. E no pós-parto, a obesidade ainda pode causar ou agravar síndrome metabólica, doenças cardíacas e diabetes.

Outro ponto associado a obesidade que também não é muito abordado é a alimentação de nossas crianças. Pois é na infâncias que os hábitos são criados. E concorda comigo que se um hábito de alimentação saudável é instituído na infância é muito mais fácil do que iniciá-lo na vida adulta? Partindo disso devemos observar com bastante atenção o que oferecemos de alimento aos nossos pequenos. O que escuto muito é: “Coitadinho, dá refrigerante para ele!”, “ Olha só a carinha de quem quer doce!” Mas não é bem assim, um bebê que está iniciando a alimentação precisa de alimentos de verdade, e a fruta, legume ou verdura deve ser ofertado diversas vezes até que seja desenvolvido o paladar. Doces e qualquer tipo de industrializados devem ser evitados ao máximo. Estudos já mostraram que crianças obesas tendem a ser adultos obesos.

O tratamento da obesidade é multidisciplinar. Envolve o médico, nutricionista, psicólogo e educador físico. A base do tratamento é adotar mudanças no estilo de vida, com uma dieta hipocalórica, preferindo alimentos de verdade e com o mínimo de industrializados, aliado a exercício físico regular. Pode ser feito o uso de medicamentos e para casos mais graves pode ser recomendado o procedimento cirúrgico, especialmente para quem possui o IMC acima de 35 e também ter doenças associadas à obesidade, e para os que têm IMC acima de 40 e não conseguem emagrecer com outros tratamentos. Em todos os casos, o acompanhamento médico regular é fundamental.

Nos últimos tempos vi várias campanhas para amarmos nosso corpo do jeito que ele é. Eu concordo com isso, porém não podemos amar um corpo doente e cheio de limitações. Se queremos nos amar devemos cuidar de nosso bem mais precioso, que é a nossa saúde, devemos buscar por autonomia física e emocional. Obesidade é uma doença que temos como superá-la e viver uma vida com mais qualidade e bem estar, prolongando assim nossa longevidade.



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