O segundo cérebro


Olá minhas queridas amigas! Hoje vamos falar de um órgão que muitos acham que possui apenas função digestiva, o intestino, porém ele tem muitas outras funções importantíssimas. Funções essas relacionadas a temas já abordados aqui, como imunidade, obesidade e ansiedade, além de muitas outras.

Todo mundo já deve ter ouvido alguém falando: “Quando estou nervosa desconto tudo no meu estômago!; ou então “Meu humor afeta diretamente o funcionamento do meu intestino!”. Vamos entender o porquê dessas falas.


Milhões de pessoas sofrem com disfunções do aparelho gastrointestinal. Em alguns países, até 1/3 da população apresenta constipação. A disfunção do sistema digestivo gera mais ansiedade, depressão e distúrbios do sono. Sinais imunes enviados pelo intestino podem até comprometer vasos sanguíneos do cérebro, levando à deterioração da saúde mental e ao comprometimento cognitivo. Queixas gastrointestinais e emocionais sempre caminharam lado a lado. Porém a crença de que depressão e ansiedade são sempre a causa dos transtornos digestivos, não é correta.


Na verdade é uma via de mão de dupla: afecções mentais até podem ser a raiz dos sintomas gastrointestinais, mas hoje há evidências suficientes para dizer que sintomas gastrointestinais também podem ser a origem de afecções mentais.


O sistema digestivo possui em torno de 500 milhões de neurônios e terminações nervosas, o que permite que ele funcione perfeitamente sem comandos do sistema nervoso central, formando assim o Sistema Nervoso Entérico, que é composto por dois: os plexos mioentérico de Auerbach e submucoso de Meissner.


Em relação ao segundo cérebro, as catecolaminas (noradrenalina, adrenalina e dopamina) desempenham funções como regulação do fluxo sanguíneo, absorção de nutrientes, interação com o sistema imunológico, microbiota e motilidade gastrointestinal. Algumas bactérias inclusive expressam receptores adrenérgicos. Dado interessante diz que 50% da dopamina produzida no organismo se encontra nas imediações do intestino.


Recentemente descobriu-se que neurônios intrínsecos e alguns linfócitos T também produzem acetilcolina. As pesquisas têm focado em sua atuação imunológica, com poderosos efeitos anti-inflamatórios na periferia, e numa possível regulação da microbiota.


A serotonina é um neurotransmissor que ajuda a regular o sono, o apetite, o humor e também inibe a dor. Como cerca de 95% da serotonina é produzida no trato gastrointestinal, por isso o bom funcionamento do sistema digestivo não apenas processe os alimentos, mas também module positivamente em suas emoções. A produção de serotonina também é altamente influenciada pelas bilhões de bactérias “boas” que compõem a microbiota intestinal.


Componente muito importante do sistema digestivo é a microbiota intestinal. Tais microorganismos são capazes de modular diversos aspectos do sistema nervoso, podendo alterar a função cerebral e modificar comportamentos. A manutenção de uma microbiota saudável é hoje um dos pilares para um organismo em equilíbrio.

O neurotransmissor GABA também é um dos mediadores do sistema nervoso entérico e, portanto, está envolvido na função gastrointestinal, principalmente na motilidade do mesmo. Ao contrário do seu papel no sistema nervoso central, o GABA está envolvido na excitabilidade neuronal do segundo cérebro. Uma outra função do GABA, a de imunomodulador natural de linfócitos T, tem despertado grande interesse pelo potencial de aliviar os sintomas de doenças gastrointestinais inflamatórias.


A grande notícia é que você pode melhorar o funcionamento do seu segundo cérebro, pelo estilo de vida, alimentação, prevenção e tratamento de doenças preexistentes. Um dos pilares certamente é a conservação de uma microbiota equilibrada e funcional, através de estratégias como lançar mão de probióticos, prebióticos, sobretudo manter uma dieta saudável.


Os probióticos influenciam a função do sistema nervoso central por meio de mecanismos diretos e indiretos. Há evidências de modulação neuroquímica central, de atuação sobre nervos cranianos e nervos entéricos, além de efeitos sobre os sistemas endócrino e imunológico. Em linhas gerais, os probióticos manipulam e diversificam a microbiota intestinal, elevando a composição de bactérias benéficas. Uma microbiota mais saudável reequilibra as taxas de metabólitos essenciais como os ácidos graxos de cadeia curta e o triptofano, o que melhora indiretamente a função neural. Cada indivíduo tem um microbioma intestinal único e os efeitos dos probióticos podem ser altamente variáveis de pessoa para pessoa.


A suplementação de ácidos graxos ômega-3 aumenta a produção de ácidos graxos de cadeia curta, deslocando o equilíbrio da microbiota intestinal para um estado saudável. Por outro lado, o excesso de gorduras saturadas na dieta aumenta o número de microrganismos pró-inflamatórios intestinais, estimulando a formação de ácidos biliares conjugados com taurina que promovem o crescimento desses germes. Além de uma alimentação equilibrada para uma boa saúde intestinal é importante que essa dieta seja rica em triptofanos, encontrado principalmente na banana, aveia, castanhas, peixes e ovos. Para um bom funcionamento intestinal, além de uma alimentação equilibrada, devemos incluir exercício físico e adequado controle de peso como metas diárias, e devemos excluir práticas como o tabagismo e alcoolismo.


Agora sabemos que o intestino não é apenas um órgão que cuida da digestão dos alimentos e fornece os nutrientes necessários ao bom funcionamento do corpo, ele é responsável por nossa imunidade, nosso humor, nossa disposição, afinal ele é responsável pelo equilíbrio de nosso corpo. Por isso, devemos cuidar de forma adequada desse órgão, muitas vezes deixado de lado. Já podemos dizer que a chave da qualidade de vida e da longevidade é o intestino.




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