Estou me guardando para quando o Carnaval chegar


O que a moda representa para você? Começo hoje com esse questionamento, convidando você leitor, a refletir a respeito antes de prosseguir com a leitura.


A roupa há muito deixou de ser um material para tampar a nudez, já disse isso por aqui, o vestir pode e deve ser uma forma de expressão, no qual, “você é o que você veste” e ainda, diz para o mundo quem é você. Tudo através do vestir.


Para auxiliar essa viagem em pensamento, sugiro um documentário, disponível no Netflix: Estou me guardando para quando o carnaval chegar. Escolhi esse material por mostrar que essa realidade existe dentro do nosso país, mais perto do que imaginamos.


Foi gravado em Toritama, no estado do Pernambuco, onde são produzidos cerca de 20 milhões de jeans anualmente. Ao ler isso você deve pensar “ah que bom né, movimenta a economia”.


A produção de jeans acontece em fábricas caseiras, nas quais as famílias se juntam para trabalhar muitas horas por dia incansavelmente para ganhar menos de um real por seu trabalho unitário, e quando digo menos de um real, é muito menos mesmo. Há funções que são remuneradas com R$ 0,10, consegue imaginar quantas unidades é preciso fazer para ter uma vida digna?


As famílias são gratas por esse trabalho, tendo em vista que se optassem por serem funcionários em fábricas maiores localizadas em Toritama, ganhariam um salário fixo, e dessa forma, eles podem trabalhar o quanto aguentarem para tirar um valor maior que o fixo proporcionaria.


Essas famílias não têm hora, não tem final de semana, trabalham o quanto aguentam para serem remunerados em centavos. A única folga que existe na cidade do jeans brasileira é no carnaval, todas as pessoas que trabalham na produção de jeans esperam o carnaval chegar para descansar.


Sim, a cidade fica vazia pois todos vão para a praia. Aguardam ansiosamente pela viagem do ano, é como se fosse o fim de semana para eles, que acontece uma vez ao ano. Daí você pode pensar que eles trabalham bastante durante o ano e fazem uma reserva para esta viagem.


Não é o que acontece, não há que se falar em poupança para essas pessoas, eles trabalham para sobreviver. Mas Priscila, como vão para a praia então? Eles vendem, em uma grande feira de rua que acontece todo ano, as suas únicas geladeiras, seus únicos televisores para proporcionarem esse momento de trégua e diversão para suas famílias.


E sim, eles precisam desses itens, mas nada é tão importante quanto o único lazer anual para essas pessoas. Quando perguntados “o que vai fazer sem geladeira quando voltar? ”


Eles com toda certeza respondem “trabalhamos tudo novamente para comprar e vender no próximo carnaval”.


Faz sentido para você que devemos repensar nossas formas de consumo?



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